Enquanto a esquerda tenta retomar símbolos nacionais e promover justiça, a extrema direita articula com potências estrangeiras para garantir a impunidade de seus líderes — e enfraquecer a soberania do Brasil.
A Nova Guerra pela Soberania
É chegada a hora de lutar a verdadeira guerra pelas mentes e pelos símbolos da nação.
Desde o impeachment de Dilma Rousseff e o processo de lawfare promovido pela Operação Lava Jato, o Brasil viu o fortalecimento de uma extrema direita que, ao contrário do que apregoa, jamais teve compromisso real com os ideais nacionalistas. Ao mesmo tempo em que denunciava “comunistas” imaginários e se cobria com a bandeira verde-amarela, essa corrente política se aliava de forma acrítica aos interesses de uma potência estrangeira — os Estados Unidos —, tratando qualquer interferência do governo norte-americano como se fosse uma ordem divina.
A ascensão do bolsonarismo revelou essa contradição em sua forma mais crua: enquanto vociferava contra a “esquerdalha” e brandia símbolos nacionais como a camisa da Seleção e o hino nacional, entregava setores estratégicos da economia, minava instituições democráticas e, sobretudo, subordinava o Brasil a interesses externos.
Mesmo com provas evidentes de entrega de soberania e de ações golpistas, parte significativa da população seguiu ignorando os fatos, seduzida por uma retórica inflamada e por uma máquina de fake news sem precedentes. Ainda assim, em 2022, as forças democráticas conseguiram articular uma frente ampla e, com o apoio popular, derrotaram o bolsonarismo nas urnas.
Com a derrota, veio o ajuste de contas. As investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 avançaram, prendendo não só manifestantes radicalizados, mas também investigando financiadores e militares envolvidos. A reação da extrema direita foi rápida: aqueles que ignoravam os horrores do sistema prisional passaram a clamar por “direitos humanos”; os que defendiam penas duríssimas agora exigem anistia para os seus.
A proposta de anistia ampla, geral e irrestrita ganhou espaço nos meios bolsonaristas, até que foi apresentada uma alternativa: reduzir as penas da massa manipulada, mas manter as punições aos articuladores e financiadores. A partir daí, o entusiasmo com a anistia começou a esfriar — justamente quando Donald Trump retomava força nos Estados Unidos e oferecia nova esperança à direita radical brasileira.
Nesse contexto, o deputado Eduardo Bolsonaro autoexila-se nos EUA e começa a articular diretamente com o governo estrangeiro. O ponto culminante veio quando um juiz norte-americano intimou um magistrado brasileiro, responsável pelas investigações do 8 de janeiro, a prestar esclarecimentos nos Estados Unidos, por uma decisão tomada sob jurisdição nacional. No mesmo dia, Trump fez um pronunciamento online defendendo que “deixemos Bolsonaro em paz”. Logo depois, em 9 de julho de 2025, o governo Trump anunciou uma taxação de 50% sobre as exportações brasileiras, citando, dentre outras justificativa, o caso do ex-presidente.
Trata-se de uma interferência internacional direta e escancarada — algo que deveria indignar qualquer patriota, mas que encontra apoio e silêncio entre os mesmos que se dizem defensores da pátria. A contradição é gritante: como pode o movimento que diz lutar pelo Brasil apoiar abertamente uma potência estrangeira que atenta contra sua soberania?
Chegou o momento de a esquerda retomar a bandeira nacional. De se apropriar novamente dos símbolos sequestrados pelo bolsonarismo e utilizá-los como instrumentos de luta em defesa da soberania, da justiça e da democracia.
É hora de comunicar com firmeza e clareza: o bolsonarismo, hoje, está disposto a abrir mão da independência nacional para garantir a impunidade de seu líder. E seus aliados — no Congresso, nas redes e na elite econômica — apoiam essa agenda, mesmo que isso custe caro ao povo brasileiro.
O sentimento nacionalista pode, e deve, ser reconectado à luta de classes. Se o governo busca tributar os mais ricos, é justo perguntar: essa elite que se recusa a pagar impostos é a mesma que aplaude interferências externas? O Brasil precisa escolher: soberania ou submissão.





